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O CHAMADO À VOCAÇÃO SACERDOTAL

Foto do escritor: Pascom
Pascom
há 12 minutos
9 min de leitura

O que é ser padre? Chamados a ser pastores e guias das almas para Deus

 

Uma vocação que nasce no coração de Deus

         

         Falar sobre o sacerdócio é falar de um dos maiores dons que Cristo concedeu à sua Igreja. É falar de uma vocação que nasce no coração de Deus, manifesta-se no chamado de Jesus e se concretiza na entrega generosa de um homem que, livremente, responde: «Eis-me aqui, Senhor, envia-me!» (Is 6,8).

          Ser padre não é simplesmente exercer uma profissão, ocupar uma função religiosa ou assumir uma posição de destaque na comunidade. Ser padre é receber um chamado divino, uma eleição de amor e uma missão que ultrapassa os limites dos projetos humanos.

          É ser configurado a Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, para continuar no mundo a sua missão de anunciar o Evangelho, santificar o povo de Deus, celebrar os sacramentos e conduzir as almas ao encontro com o Pai.

 

1.      O sacerdócio nasce do chamado de Deus e encontra sua plenitude em Jesus Cristo

          A vocação sacerdotal não começa na vontade humana, mas na iniciativa de Deus. É Deus quem chama, escolhe, prepara e envia. Ao longo da história da salvação, encontramos homens que foram alcançados pelo chamado divino e convidados a participar de uma missão que não era exclusivamente deles, mas pertencia ao próprio Deus.

          No Antigo Testamento, encontramos o chamado de Abraão (Gn 12,1-4), Moisés (Ex 3,1-12), Samuel (1Sm 3,1-10), Isaías (Is 6,1-8) e Jeremias (Jr 1,4-10). Cada um recebeu uma missão particular e precisou aprender a confiar naquele que o chamava. A experiência de Jeremias é particularmente significativa para compreendermos a vocação: «Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei e te constituí profeta para as nações» (Jr 1,5). Essa passagem revela que a vocação está relacionada ao conhecimento, à eleição e ao amor de Deus. Antes mesmo de Jeremias compreender a dimensão de sua missão, Deus já o conhecia e o chamava.

          Entretanto, é em Jesus Cristo que encontramos a plenitude e o verdadeiro fundamento do sacerdócio cristão. Jesus é o único e verdadeiro Sumo Sacerdote da Nova Aliança. A Carta aos Hebreus afirma: «Temos um Sumo Sacerdote eminente, que atravessou os céus: Jesus, o Filho de Deus» (Hb 4,14). Cristo é o sacerdote que oferece a si mesmo. Diferentemente dos sacerdotes da antiga aliança, que ofereciam sacrifícios continuamente, Jesus oferece sua própria vida, de uma vez por todas, pela salvação da humanidade (Hb 9,11-14).

          Na cruz, manifesta-se a grandeza do sacerdócio de Cristo: Ele é, ao mesmo tempo, sacerdote, altar e vítima. Sua entrega é expressão máxima do amor do Pai pela humanidade. É desse único sacerdócio de Cristo que participa o sacerdote ordenado. Portanto, o padre não substitui Jesus, não ocupa o lugar de Cristo e não possui um sacerdócio independente. Pelo sacramento da Ordem, ele é configurado a Cristo e recebe a graça de agir sacramentalmente em seu nome e na sua pessoa.

          O próprio Jesus escolheu os Doze Apóstolos e os associou à sua missão: «Chamou os que ele quis, e foram até ele. Então Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para que os enviasse a pregar» (Mc 3,13-14). Observemos a ordem do Evangelho: primeiro, Jesus os chama para permanecerem com Ele; depois, envia-os em missão.

          Aqui encontramos dois fundamentos indispensáveis da vida sacerdotal:  Estar com Jesus: cultivar uma profunda intimidade com Cristo por meio da oração, da Eucaristia, da Palavra e da vida espiritual. Ser enviado por Jesus: anunciar o Evangelho, cuidar do povo, celebrar os sacramentos e testemunhar o Reino de Deus.

          Aos seus discípulos, Jesus confiou uma missão extraordinária: «Fazei isto em memória de mim» (Lc 22,19). Na Última Ceia, instituiu a Eucaristia e confiou aos Apóstolos o ministério de sua celebração. Posteriormente, após a Ressurreição, confiou a Pedro a missão de apascentar o seu rebanho: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21,17). Eis a identidade do sacerdote: aquele que, unido a Cristo, alimenta o povo com a Palavra, sustenta-o com os sacramentos e conduz as pessoas ao encontro com Deus.

 

2. O que é ser padre? A identidade e a dignidade do sacerdócio

          Para compreender o que é ser padre, precisamos olhar para Jesus, o Bom Pastor. No Evangelho de João, encontramos uma das mais belas definições da missão sacerdotal: «Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas» (Jo 10,11). O padre é chamado a participar dessa caridade pastoral de Cristo. Sua missão não consiste apenas em administrar uma comunidade, organizar celebrações ou realizar atividades religiosas. Tudo isso faz parte do ministério, mas a identidade sacerdotal é muito mais profunda.

         

          O padre é um homem consagrado para Deus e inteiramente dedicado ao serviço da salvação das almas. Sua vida passa a ter uma orientação fundamental: servir a Cristo no cuidado do seu povo. O Catecismo da Igreja Católica, nos números 1536 a 1589, ensina que o sacramento da Ordem é o sacramento pelo qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos. O ministério ordenado compreende três graus: episcopado, presbiterado e diaconado.

          Pelo sacramento da Ordem, o sacerdote recebe uma configuração sacramental especial a Cristo, Cabeça e Pastor da Igreja. Não se trata apenas de uma autorização para realizar determinadas funções religiosas, mas de uma graça que transforma sua relação com Cristo e sua missão na Igreja. O Concílio Vaticano II, no decreto Presbyterorum Ordinis, ensina que os presbíteros, pela Ordem, são configurados a Cristo Sacerdote e constituídos ministros para a edificação do seu Corpo, que é a Igreja (PO, 2 e 12). Essa dignidade é extraordinária! O sacerdote, mesmo permanecendo homem, com suas limitações, fragilidades e necessidades, recebe uma missão sagrada.

         Pensemos no que acontece na celebração da Santa Missa: quando o sacerdote pronuncia as palavras da consagração, não é a sua capacidade humana que transforma o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Cristo. É o próprio Cristo que age sacramentalmente por meio do ministério sacerdotal. Quando o padre absolve os pecados no sacramento da Reconciliação, é Cristo quem oferece o perdão. Quando batiza, é Cristo quem incorpora um novo filho à Igreja. Quando unge um enfermo, é Cristo quem se aproxima daquele que sofre. Eis a grandeza do sacerdócio: Deus confia a homens frágeis a missão extraordinária de serem instrumentos de sua graça e de sua ação salvadora no mundo.

          O padre não é maior que os outros cristãos em dignidade humana. É um irmão entre irmãos, mas recebeu uma missão específica e uma responsabilidade particular diante de Deus e da Igreja. O padre é:

          1. Homem da Eucaristia - O centro da vida sacerdotal é a Eucaristia. O padre é chamado a celebrar diariamente, quando possível, o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Sua vida deve ser profundamente eucarística: uma vida que se oferece, se reparte e se entrega.

          2. Homem da Palavra - O sacerdote é servidor da Palavra de Deus. Sua missão é anunciar o Evangelho com fidelidade, ensinar a doutrina da Igreja, orientar as consciências e ajudar as pessoas a descobrirem a vontade de Deus. São Paulo exorta Timóteo: «Proclama a Palavra, insiste oportuna e importunamente» (2Tm 4,2).

         3. Homem da misericórdia - O padre deve ser sinal da misericórdia de Deus. É chamado a acolher os pecadores, escutar os que sofrem, acompanhar os que estão feridos e oferecer a todos a possibilidade de recomeçar. No confessionário, deve ser instrumento da misericórdia de Cristo, sem jamais esquecer que também ele necessita continuamente do perdão e da graça de Deus.

          4. Homem da oração - Não existe fecundidade sacerdotal sem intimidade com Deus. O padre não pode falar de Deus aos homens se não cultivar uma vida profunda com Deus. Sua oração sustenta sua missão. Sua intimidade com Cristo fortalece sua fidelidade. Sua vida espiritual protege seu coração das tentações de transformar o ministério em ativismo, vaidade ou busca de reconhecimento.

          5. Homem da caridade pastoral - O sacerdote não vive para si mesmo. Sua vida é destinada ao povo que lhe foi confiado. Precisa conhecer suas ovelhas, visitar as famílias, acompanhar os jovens, orientar os casais, cuidar das crianças, consolar os idosos, visitar os enfermos e aproximar-se dos pobres e abandonados. É chamado a ter o coração de Cristo, que não permanece indiferente diante da dor humana.

          6. Homem da comunhão e da missão - O padre não trabalha sozinho nem é proprietário da comunidade. Está em comunhão com o seu bispo, com o presbitério e com todo o povo de Deus. É chamado a despertar os dons e carismas dos leigos, formar lideranças e fazer com que todos descubram sua responsabilidade na missão evangelizadora da Igreja.

Portanto, ser padre é viver uma vida de profunda comunhão com Deus e de generosa dedicação aos irmãos.

 

3. A vida sacerdotal: uma entrega de amor, sacrifício e fidelidade

          A vocação sacerdotal é uma vocação de amor. Entretanto, precisamos compreender que esse amor exige renúncias, sacrifícios, perseverança e fidelidade. Ser padre é aceitar que a própria vida já não será organizada exclusivamente em função dos próprios interesses. É colocar os dons, o tempo, as capacidades e os projetos pessoais a serviço de uma missão maior. O sacerdote é chamado a viver três compromissos fundamentais:

          A) A obediência: viver a vontade de Deus e a comunhão com a Igreja. - A obediência sacerdotal não é simplesmente uma submissão administrativa. É uma expressão de fé, de comunhão e de disponibilidade para realizar a vontade de Deus por meio da missão confiada pela Igreja. O sacerdote precisa aprender a dizer diariamente: «Senhor, não se faça a minha vontade, mas a tua» (Lc 22,42).

          B) O celibato: um coração indiviso para Deus e para o povo. - Na Igreja latina, os presbíteros são ordinariamente escolhidos entre homens que assumem livremente o celibato, conforme a disciplina eclesiástica. O celibato sacerdotal não é desprezo pelo matrimônio ou pela família. Pelo contrário, é uma maneira particular de viver a entrega de amor, seguindo o exemplo de Cristo. É um sinal de disponibilidade para servir ao Reino de Deus e de antecipação da realidade futura, na qual Deus será tudo em todos. O celibato precisa ser sustentado pela oração, pela maturidade afetiva, pela fraternidade, pela disciplina espiritual e por uma profunda experiência do amor de Deus.

          C) A pobreza evangélica: não possuir para si, mas viver para servir. - O sacerdote deve ter um coração livre diante dos bens materiais. Não pode fazer do ministério um instrumento de enriquecimento, poder ou prestígio. Sua preocupação deve ser o Reino de Deus e a salvação das almas. A pobreza evangélica não significa irresponsabilidade material, mas liberdade interior para que os bens não ocupem o lugar de Deus.

          É importante recordar: o sacerdote também é humano. Experimenta cansaço, solidão, incompreensões, dificuldades e momentos de sofrimento. Precisa de oração, acompanhamento espiritual, amizades saudáveis, fraternidade sacerdotal e cuidado com sua própria humanidade. A santidade sacerdotal não significa ausência de fragilidades, mas uma disposição permanente de deixar-se transformar pela graça de Deus.

 

4. O chamado aos jovens: não tenhais medo de ser padres!

        Chegamos a uma questão fundamental: onde estão os jovens que Deus está chamando para o sacerdócio? Onde estão os rapazes que terão coragem de deixar seus projetos pessoais para abraçar uma missão de amor? Onde estão aqueles que desejam entregar sua juventude, sua inteligência, seus talentos e toda a sua existência a serviço do Evangelho?

          A Igreja precisa de sacerdotes! As comunidades precisam de pastores! As famílias precisam de homens de Deus! As crianças precisam de quem lhes anuncie Jesus! Os jovens precisam de testemunhas que lhes mostrem o caminho da santidade! Os enfermos precisam de alguém que lhes leve a Eucaristia e a esperança! Os pecadores precisam de ministros que lhes anunciem a misericórdia!

          O mundo pode oferecer muitas oportunidades, mas existe uma pergunta que nenhum sucesso humano consegue responder completamente: para que Deus me criou? Qual é a missão que Ele deseja confiar à minha vida? Talvez, no coração de muitos jovens, exista uma inquietação que ainda não foi suficientemente escutada. Talvez exista um desejo de servir, uma alegria especial ao participar da Eucaristia, uma admiração pela vida sacerdotal ou uma profunda sensibilidade diante das necessidades espirituais das pessoas

          Esses sinais merecem ser acolhidos e discernidos - A vocação não precisa começar com uma certeza extraordinária. Muitas vezes, começa com uma pergunta, uma inquietação, um desejo de estar mais perto de Jesus. Recordemos o chamado dos primeiros discípulos: «Jesus voltou-se e, vendo que eles o seguiam, perguntou: Que procurais? Eles disseram: Rabi, onde moras? Jesus respondeu: Vinde e vede!» (Jo 1,38-39). Essa continua sendo a resposta de Jesus aos jovens de hoje: «Vinde e vede!».

          Não tenhais medo de aproximar-vos de Cristo! Não tenhais medo de perguntar o que Ele deseja de vossa vida! Não tenhais medo de descobrir que talvez Ele esteja chamando alguns de vós para o sacerdócio! O Papa São João Paulo II, no início de seu pontificado, deixou uma exortação que atravessou gerações: «Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!»

          Essa palavra também precisa ressoar nos corações dos jovens que sentem o chamado sacerdotal. Não tenhais medo de entregar vossa juventude a Deus. Não tenhais medo de viver uma vida diferente daquilo que o mundo considera sucesso. Não tenhais medo de trocar o desejo de ser servido pela alegria de servir. Ser padre não significa perder a vida. Significa descobrir uma maneira extraordinária de oferecê-la.

 

Oração pelas vocações sacerdotais

 

          Senhor Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, Bom Pastor que destes a vida por vossas ovelhas, nós vos agradecemos pelo dom do sacerdócio ministerial concedido à vossa Igreja. Obrigado por cada sacerdote que, em vosso nome, anuncia a Palavra, celebra a Eucaristia, administra os sacramentos, perdoa os pecados e conduz vosso povo pelos caminhos da salvação.

          Santificai nossos sacerdotes! Fortalecei os que estão cansados, consolai os que enfrentam dificuldades, sustentai os que atravessam momentos de solidão e renovai em cada um a alegria do primeiro chamado.

          Despertai no coração dos jovens o desejo de vos seguir mais de perto. Chamai homens generosos, corajosos e apaixonados pelo Evangelho. Que nenhum jovem tenha medo de responder ao vosso chamado. Que nossas famílias sejam ambientes favoráveis ao nascimento das vocações e que nossas comunidades sejam verdadeiras escolas de discípulos missionários.

          Maria Santíssima, Mãe dos Sacerdotes, ensinai-nos a dizer sim à vontade de Deus. Jesus, Bom Pastor, dai-nos santos sacerdotes, homens segundo o vosso coração, para que nunca faltem pastores ao vosso povo. Amém.



Por Pe. Adelício Lopes Santos

 
 
 

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